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14.10.09




Entorpecida

Era um estreito e sinuoso beco. Sem saída.
Escuridão e pavor tomavam conta do seu ser
Corra, Caroline, Corra. - Talvez ainda dê tempo.
A menina tropeça, grita e cai.
Lá vem ele com seus olhos injetados de sangue.
Ameaçador.
Olha de novo, mas aonde ele está?
Sumiu.
Silêncio.
Caroline acorda: pesadelo. Ótimo.
Não! Lá está ele no cantinho do quarto
encostado na parede.
Tudo gira. Cai. Precisa levantar: impossível.
Debilitada e fraca, desmaia. Mais uma de tantos.
Risadas, apenas risadas agora são audíveis.
Dos inúmeros pequenos furinhos em seu braço
saem os últimos suspiros de vida.
Risadas, mais uma marionete sem destino. Risadas, e o fim.

Yule Weimer - 14/10/2009

6.10.09

A Rosa.

Ela está lá, plantada, a doce rosa do medo.
Enraizada no jardim da vida humana
Seus espinhos embora pequenos doem tanto quanto a ponta de uma afiada adaga
Discreta nasce, cresce e instala-se
E uma vez instalada, desbota, pois já jorrou seu suave veneno nos corações fracos.

Yule Weimer

14.9.09

Dança das sombras

Não me faças acreditar nesse sentimento
não me faças crer em suas palavras
é tarde demais para não me fazer enxergar
a danças das sombras em volta de ti
Mesmo meus pensamentos em ruínas,
ainda há poeira nos ventos da sensibilidade.
Como em um sopro divino
incrusta-se em mim um pouco de sensatez
que me faz enxergar tua sarcástica face
Não te esqueças que fui eu quem tirei você das sombras, mas
lá queres ficar, volta para essa sua louca dança de sanguinários
Tocas a mórbida face do destino
mas eu possuo o livre arbítrio e já fiz minha escolha
e tu, não fazes parte dela.


Yule Weimer - 13/09/09

4.9.09


Guerra

Homens empalhados
Sorrisos enfurrujados
Olhos pétreos
Falas corrompidas
Gargalhadas interrompidas
Homens-máquinas
Lágrimas de sangue
Gritos abafados
Corações petrificados
Susurros na noite
Rosas desbotadas
Solo escarlate
A lua chora, o sol nasce
tingindo de dourado
a terra que mesmo tendo sugado
tanto sangue, "ainda fará nascer lindas rosas
em noites azuis".

Yule ~*

27.8.09








O Cálice.


Bebo no teu cálice dourado, e sinto o gosto amargo do fel.

Minha boca cerra-se e sinto seu veneno

indo direto ao meu coração.

Que droga é essa que me consome até eu perder todos os meus sentidos?

O cálice de ouro que tu me oferecestes, sorri para mim como quem sabia o que iria acontecer.

Ó droga estúpida, ó droga de você.

Queria poder me libertar desse amor que me consome , desse fogo dilacerante do seu veneno.

Queria enfiar minhas mãos no peito e arrancar meu coração, mas o medo se esvai entre meus dedos. Arrancar o coração e colocá-lo de presente pra você, no teu cálice de satisfação, com letras vermelhas em alto relevo:

Faça Bom Proveito, Daquilo Que Destruiu.

E não ouvir mais o seu "cale-se."


Yule C. Weimer ~ 17/08/2009

21.8.09

Mary Anne


Rosas vermelhas habitam o vale escuro do coração de Mary Anne
Ela parece as ignorar, fazendo questão de pisá-las pois os espinhos não mais atingem.
Lágrimas negras escorrem pelo seu rosto, e como num surto de loucura, ri com escárnio.
Não sabe ao certo o que sente, um mixto de descontentamento e solidão.
Esse é o preço que se paga pela sinceridade excessiva.
Num mundo de hipocrisia e dores escondidas, a sinceridade parece machucar muito mais
do que uma mentira descoberta.
-Mary Anne... o vento soprava
- Mary Anne... o vento chamava
-Mary Anne... o vento suplicava.
Ela entendeu o chamado do vento e toda sua solidão e angústia se fora.
Mary Anne segiu o ventoe o seu corpo frio permaneceu intacto.
Donde antes ela havia pisado nas rosas , agora nascia uma em seu seio, tão vermelha e viva representando tudo que ela queria ter sido e vivido.
O vento num ultimo sopro sôfrego disse: - Mary Anne não verá, mas um dia a sinceridade será a
melhor virtude dos seres humanos.
Então fez-se o silêncio.
06/08/09



7.8.09

Choram as máscaras.


E as máscaras sempre caem
Não adianta criar a doce ilusão de que
tu
permanecerá ileso em sua casca.
Não, elas não são inquebráveis.
Em suas lágrimas escondidas,
em seu sorriso sem vontade

O coração se fecha e empretece.
O olhar é vazio e distante,
as palavras são vagas e jogadas ao vento.
Mas as máscaras, ah!
Elas caem, quebram, racham, inexistem.
E é nessa hora que a liberdade,
como uma Fênix ressurge de suas cinzas.